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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

AULA 1 - PERSÉPOLIS








     





         

  França - 2007
Dir. Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud.





PROTAGONISTAS



Marjane (com voz de Chiara Mastroianni, na versão original em francês)  Filha intelectuais  esquerdistas, Marji é uma garota iraniana, educada à moda européia. Desde criança demonstrava personalidade forte; depois adolescente revoltada, corajosa e desbocada. Estudou na  Europa. De volta para seu país, não sentia muita identificação com a sociedade local, apesar de amar seus parentes .




Mãe de Marjane (com voz de Catherine Deneuve, na versão original)Mulher de valores ocidentais, vê seu modo de vida transformado no regime dos aiatolás e revolta-se com isso.

Pai de Marjane (voz de Sean Penn, na versão americana): Intelectual de idéias modernas e família com tradição de militância em movimentos políticos que se opuseram tanto ao regime do xá como aos xiitas.


Avó de Marjane (voz de Gena Rowlands na versão americana) matriarca da família, fonte de humor e orientação moral para a pequena Marjane e também a encarnação do feminismo contido no filme.Para ela, a liberdade é um direito, por isso, desafia o mundo.




TRAMA E LINGUAGEM






Marjane Satrapi tinha nove anos quando seu país, o Irã, passou por uma revolução: o que era uma monarquia amiga do Ocidente virou uma república islâmica, regida por princípios religiosos bastante rigorosos e governada pelo aiatolá Khomeini, que fechou o país para o resto do mundo. Com a Guerra Irã-Iraque (1980 -88) é enviada, por seus pais, sozinha para estudar na Áustria.

É essa história bem pessoal, cheia de insegurança, saudade e solidão, que Marjane conta em "Persépolis", publicada no ano 2000 na forma de história em quadrinhos autobiográfica. O sucesso levou os quadrinhos às telas, numa animação produzida pela autora e pelo cineasta francês Vincent Paronnaud. Levou a Palma de Ouro em Cannes em 2007.



Os traços simples da animação ajudam a explicar, com uso de flashbacks e em preto-e-branco, a chamada Revolução Islâmica, que aconteceu há 37 anos e por que não é tão fácil a mudança para um país estranho, sem família, sem amigos, sem falar a língua.
Mesmo com o alívio de poder ir a festas, ouvir música alta e não precisar mais usar o véu obrigatório para cobrir a cabeça, a adolescente Marji se sente estranha diante de tantas pessoas que não entendem muito o que se passa no Irã. Apesar de tentar "pirar", experimentar drogas, sair com os mais doidos da escola e aproveitar a liberdade de ser uma teen, Marji nunca deixa de se sentir diferente, nunca esquece suas origens de enfrentamento político e indignação.
Assim, as mudanças da autora-personagem são um meio de contar a história da revolução e daquela garota, hoje com 45 anos, que questionou as convenções e conquistou o mundo.



UMA FALA DO FILME




Felizmente, no Liceu Francês de Viena eu conseguia entender os outros e ser entendida. Logo virei o centro das atenções dos marginais do Liceu. Minha nacionalidade e minha história o fascinavam Tinha visto uma revolução e uma guerra. E visto muita gente morta...Logo me integrei ao grupo...É verdade que no começo, foi meio difícil me adaptar. Mas depois de tudo, por que não?  Acabei me convencendo de que tinha achado o meu lugar entre os outros. Mas continuava sendo diferente deles. Certos aspectos da cultura ocidental continuavam misteriosos para mim.Era preciso que eu me instruísse. De Sartre a Bakunin, passando por Zweig e Freud, li tudo o que podia.  Mas entendi certas coisas que eu nunca entenderia. Eu estava muito confusa.Estava segura aqui, mas levava uma vida fútil enquanto os que eu amava viviam no inferno da Guerra. Por mais que eu tentasse, não me livrava do sentimento de culpa. Eu só queria viver como uma garota da minha idade.





UMA OPINIÃO


“Persépolis” é uma história simples contada de forma simples. Como nos quadrinhos de Marjane Satrapi, em que é baseado, o filme dirigido pela própria Satrapi e Vincent Paronnaud consiste essencialmente de uma série de desenhos em preto e branco, grossas linhas negras preenchidas por nuances de cinza.

Nesta era governada pela Pixar e por “Shrek”, é bom lembrar que as raízes da animação não estão numa técnica em particular, mas sim no impulso de dar vida a imagens estáticas. Mesmo com seu visual despretensioso, “Persépolis” é caloroso e surpreendente, com humor vivo e espírito independente. Seu retrato estilizado do mundo –- especialmente das ruas e prédios de Teerã e Viena –- transforma geografia em poesia.
Se “Persépolis” fosse baseado numa narrativa convencional em vez de uma história em quadrinhos, as memórias de juventude de Satrapi no Irã pré e pós revolucionário não seriam tão emocionantes e maravilhosas. Da mesma forma, se a adaptação cinematográfica fosse atuada de forma convencional, ela seria inevitavelmente menos mágica e real."



A.O. Scott , do New York Times( publicado em O Globo 28 de setembro 2007)


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